sexta-feira, 12 de novembro de 2010

No tabuleiro do Zé

10 quilos de açúcar refinado, 500 ovos, 200 quilos de farinha, 10 quilos de margarina, 36 litros de leite e dois botijões de gás. Isso é o que eles gastam todo o mês. Ele, José Francisco Atílio,  casado com Vânia , são pais de quatro filhos. Acordam às cinco da manhã com o despertador do celular e no silêncio, José e sua esposa, começam a preparar as roscas. Como um ritual, primeiro colocam as toucas e os aventais e depois começam a colocar os ingredientes dentro de uma bacia enorme: farinha,açúcar, ovos, fermento,leite, óleo. O tempo para assar é de quatro horas. Após esse tempo está na hora. Devem estar boas. Agora, é deixar elas se esfriarem para serem embaladas.
 Tudo pronto. Zé coloca todas no tabuleiro e sai pelas ruas, dando a gostosa notícia: “olha a rosca...a melhor rosca de Minas e do Brasil. Tem a de goiabada e a tradicional. Olha a rosca”. Lá vêm o Zé com suas deliciosas roscas descendo as ruas de Itaú de Minas. Além das roscas eles vendem outras quitandas, mas são elas, as roscas, que marcam o trabalho do casal. Contam que tudo começou como uma brincadeira. Vânia adorava cozinhar com a mãe, com quem aprendeu o básico para fazer as roscas. Logo nas primeiras fornadas, sentiu o gosto do sucesso. Começou com as vizinhas que eram atraídas pelo cheiro. Então, vendo que podiam faturar um dinheirinho a mais, resolveram continuar. Jose é aposentado, mas sabendo que no nosso país não dá para sobreviver apenas com o dinheiro da aposentadoria, a brincadeira acabou
tornando-se uma renda mais para família. Lá vêm o Zé com suas deliciosas roscas descendo as ruas de Itaú de Minas. Com uma simpatia contagiante, ele vem com o seu tabuleiro que pesa 30 quilos carregando-o em cima da cabeça durante
quatros horas.
 De uma coisa tenho certeza: se o pão de queijo é o rei das quitandas mineiras, em Itaú de Minas ele arrumou uma grande companheira mesa: a rosca do Zé do tabuleiro, uai. De uma coisa tenho certeza: se o pão de queijo é o rei das quitandas mineiras, em Itaú de Minas ele arrumou uma grande companheira de mesa: a rosca do Zé do tabuleiro,uai.
Zé da Rosca

Arte sequencial é literatura

A literatura é uma coisa inexplicável. Já dizia Fernando Pessoa: “É a maneira mais agradável de ignorar a vida”. Mas a questão é: histórias em quadrinhos é literatura? Pelo ponto de vista de Pessoa – um dos mais importantes poetas do modernismo português – HQ pode ser literatura?
Gabriel Machiaveli Preto e Branco - Lucil têm 23 anos, estuda jornalismo, possui uma barba mal-feita, cabelos bagunçados e uma voz rouca. Detalhe: coleciona desde pequeno revistinhas de HQ. Ele explica nas linhas abaixo um pouco sobre o universo da arte seqüencial.
-São histórias maduras! Quando me falam que HQ é coisa de criancinha, eu só digo que todas as HQs têm seu público alvo, tem HQ para criança e também HQ para adulto De onze para doze anos é que comecei a me interessar pelos clássicos, como Batman e Super-Homem. Tudo foi mudando com a minha idade. Fui amadurecendo, fui pegando coisas mais maduras. Hoje leio HQs mais sérios, com referências literárias.

Lucil têm dois roteiristas preferidos: Neil Gaiman (homem com pose de motoqueiro,
cabelos mais ou menos lisos, face fina e com uma inteligência fora do normal) e Alan Moore (um bruxo, como ele mesmo se considera, com barbas até o peito e cabelos tampando os ombros, se caracteriza por uma enorme face de metaleiro, ou ainda, gótico).

- O encadernado do Sandman que eu tenho, por exemplo, posso vender por até R$ 1500 reais – conta Lucil, que gosta demais do Neil Gaiman. Ele insiste em reforçar
que as HQs trazem histórias com bastantes referências. Com Sandman, Gaiman coloca
S h a k e s p e a r e como um personagem, Goethe como personagem, que só quem tem um repertório, uma bagagem cultural (digamos) pode compreender — apimenta Lucil.


Escreveu uma das mais engraçadas histórias do Batman – brinco! – uma história bastante hostil em que “o coringa dispara um tiro na coluna da filha do comissário Gordon e ela fica paraplégica” – gritou Lucil, explicando que é uma história bastante forte. Voltando a Alan Moore, ele criou uma das maiores séries de HQ
do mundo, o Watchmen. É uma história menos superficial e mais madura, que apresenta super-heróis com problemas psicológicos, sociais, éticos, entre outros.

- Alan Moore é mais famoso por criar histórias mais complexas, que exige certa
Inteligência e maturidade para ler, porque, por exemplo, se der para criança ler, ela não vai entender nada. Outra coisa que Moore faz muito bem é colocar nos seus quadrinhos simbologias de entidades nas quais ele pertence, só quem participa
delas pode compreender – explica.


Indagado sobre o nível de leitura que a HQ pode proporcionar,Lucil
diz:

- Eu creio que a partir do momento em que uma pessoa se aprofunda no universo do HQ, ela vai se sentir obrigada a ler mais, a ampliar horizontes, a achar e refletir sobre as importantes referências que as HQs oferecem –finaliza Lucil.

Cartunista Blogueiro

Outro jovem que lê e faz desenhos de HQ, é Rafael Senra, de 28 anos, que mora em São João Del-Rey. Ele tem um blog onde desenha e publica seus quadrinhos.
Falei com ele pelo MSN e discutimos sobre diversas coisas relacionadas a HQ. Ele faz mestrado em Letras pela Universidade Federal de São João Del-
Rey.
Rafael disse que começou a desenhar quadrinhos desde os dois anos.
- Aprendi a ler cedo, com 4 anos já lia, por causa de quadrinhos... antes disso, meu pai lia pra mim.
Já em 2007, começou a fazer quadrinhos com seriedade, porque viu amigos conseguindo bons trabalhos.
Seu primeiro trabalho foi a revista Ana crônica, que lançou entre agosto e setembro de 2009.
- Demorei dois anos para fazer, porque faço mestrado, e conciliei a feitura dela com os estudos. Tive ajuda de um amigo, Robson, que diagramou a revista nos padrões da gráfica. O resto foi tipo Exército de um homem só - conta.

Para ver as Charges ou Cartoons de Rafael Senra basta entra no blog:

Sites e Blogs sobre HQ: